De olho no futuro, jogadores de futebol investem em restaurantes, livraria e até bolsa de valores
Já virou senso comum que jogadores de futebol ganham rios de dinheiro e muitos deles gastam sem qualquer cerimônia com carros, roupas, mulheres e outras futilidades. Mas este cenário vem mudando ao longo dos anos. Os atletas estão cada vez mais preocupados com o futuro e fazem investimentos para fazer render o dinheiro conquistado com o esporte.
Móveis, fazendas, grupos musicais, marcas de roupas, restaurantes e até bolsa de valores: são vários os interesses dos ‘novos empresários’. Cada vez mais bem assessorados, eles adquiriram consciência de que a carreira é curta e é preciso pensar na família e na vida após pendurar a chuteira.
O zagueiro Paulo André foge do estereótipo do jogador de futebol e é exemplo de um profissional engajado. Ele luta pelos direitos dos atletas e até faz um trabalho de consultoria para auxiliar os colegas a investir de maneira segura e eficiente.
Sua especialidade é a bolsa de valores. Os termos técnicos e o stress dos pregões parecem bem distantes da alegria e espontaneidade do futebol, mas para o corintiano podem andar, ou melhor, trabalhar juntos. Até nas pausas dos treinamentos, ele monitora o pregão do Ibovespa pelo laptop, prática que aprendeu quando atuava no futebol francês e já ‘contaminou’ colegas como Ronaldo Fenômeno, Iarley e o aposentado William.
Há quem esteja bem longe do mercado financeiro, mas também se preocupar em valorizar seu ‘ganha-pão’. O goleiro Fabio não divide sua atenção apenas entre a meta do Cruzeiro e as listas de convocação de Mano Menezes. Esbanja conhecimento em negócios que vão desde a construção civil até gado.
O arqueiro é proprietário de uma rede de flats em Belo Horizonte e tem fazendas nos Estados do Paraná e Mato Grosso, sua terra natal. Fabio comercializa laticínios em parceria com um supermercado da capital mineira e investe em gado para corte: compra os bezerros, faz a ‘engorda’ e depois os vende.
“Em negócios, você tem de diversificar o máximo possível e em várias áreas para ter lucro. Não podemos investir apenas numa coisa. No caso dos imóveis, a gente vê que tem futuro hoteleiro e investe. É feita uma pesquisa onde há crescimento e é analisada a rede hoteleira. Acho que é um bom investimento”, disse.
Na mesma cidade, mas do outro lado da Lagoa, Mancini também faz seu pé de meia antes de encerrar a carreira. O empreendimento escolhido chama a atenção por ser inusitado. O meia do Atlético-MG se juntou a quatro sócios e abriu um restaurante fast food de comidas típicas da Turquia e Grécia, o Gyrus, que ele pretende expandir para outras cidades.
O jogador dá até uma de garoto-propaganda e indica o Kebab, um prato oriental à base de carne que é a especialidade da casa. “Decidimos investir nesse tipo de culinária porque não tem em Belo Horizonte. Fizemos muitos estudos para poder implantar aqui essa marca que é muito encontrada na Alemanha”, disse.
Conhecido pela beleza, pelas opções de lazer e pelo estilo despojado, o Rio de Janeiro também tem empresários que são a cara da cidade. O maior ícone é Ronaldinho Gaúcho que a cada dia mostra como se adaptou bem à cidade. Além de patrocinar alguns grupos de pagode, o flamenguista lançou sua própria linha de roupas com o famoso estilista francês Christian Audigier.
Já o lateral-direito Léo Moura seguiu caminho semelhante, mas optou pelo funk. Na época em que namorava a cantora Perlla, ele criou uma empresa para assessorá-la: LM2 produções artísticas. Mas mostrou que não é fácil conciliar as duas carreiras e deixou sob responsabilidade da irmã Lívia Moura. “Ainda não dá para unir a carreira de jogador com a de empresário”, disse.
