Arguile: Fumaça que vicia e atrai cada vez mais jovens

Rudnei Nunes, médico da família, esclarece em entrevista as consequências do uso de arguile a curto, médio e longo prazo.

Publicado em 26/10/2011 às 10:01 - do Idest, Rebeca Arruda - Em Saúde

Médico da família Rudinei Nunes falou ao Alto Taquari sobre o uso do arguile e suas consequências.
Médico da família Rudinei Nunes falou ao Alto Taquari sobre o uso do arguile e suas consequências. (do Idest, Suzana Vanessa)
Quem já parou pra observar rodas de jovens nos finais de tarde em praças, ou em frente às casas, deve ter reparado em algo que se tornou muito comum no estado: o uso do arguile ou narguilé.

O cachimbo de água, com uma ou mais mangueira leva também outros nomes. De origem árabe, o objeto é chamado de hookah na Índia e em outros países que falam inglês. Nos países do norte da África é chamado de shisha, narguilê, narguila, nakla, arguile, naguilé, entre outros. Tantos nomes para apenas uma definição: objeto utilizado para fumar.

Desde que caiu nas graças da juventude Sul-mato-grossense as opiniões ficaram divididas. De um lado, os pais, que se preocupam com a saúde e bem estar dos filhos e olham para o arguile como um vilão. Do outro, os jovens, que tomaram gosto e fizeram do arguile um hábito comum na região, como o tereré.

Um exemplo disto é a auxiliar de dentista, Jéssica, de 17 anos. “Fumei arguile por mais de um ano e nesse tempo cheguei a matar aula muitas vezes para poder fumar. Eu gastava muito dinheiro com fumo e carvão, sem necessidade. Hoje não fumo mais arguile, mas muitos dos meus amigos que antes fumavam arguile junto comigo, hoje, fumam cigarros e são dependentes do vício”, declarou.

Há diferenças regionais no formato e no funcionamento do objeto. O princípio comum é o fato de que a fumaça passa pela água antes de chegar ao fumante. Rudnei Nunes, que atua em São Gabriel do Oeste como médico da família, em entrevista ao jornal Alto Taquari, falou sobre o uso do arguile e suas consequências.

Alto Taquari: O arguile é muito prejudicial à saúde?

R.N.: O fato de passar pela água antes de chegar ao fumante, faz com que ele tenha uma redução da nicotina e do alcatrão e por esse motivo não tem uma concentração tão grande dessas substâncias como no cigarro, porém, qualquer tipo de fumaça, ou seja, a queima de qualquer produto orgânico produz monóxido de carbono na mesma intensidade que o cigarro comum.

Alto Taquari: Por que as pessoas que fumam insistem em dizer que o arguile não faz o mal que o cigarro faz?

R.N.: No caso do arguile, por ser mais suave que o cigarro a pessoa se expõe por um pouco mais de tempo àquela fumaça. Além disso, as pessoas usam fumos com essência e gosto, portanto não tem aquele cheiro forte que o cigarro produz. O que as pessoas não podem esquecer é que mesmo que o produto tenha um cheiro agradável e o gosto de fruta, ou seja lá qual for, a fumaça tem radicais livres, o que diminui a oxigenação das vias pulmonares e prejudica a médio e longo prazo a função respiratória.

Desde a novela “O Clone”, que mostrava o personagem “tio Ali” sempre de pernas cruzadas, “relaxando” e filosofando ao desfrutar de seu arguile, o objeto se popularizou e ganhou força em quase todos os estados brasileiros, uma espécie de marketing e divulgação da cultura árabe. Mas, nem todos os jovens gostam ou são adeptos dessa mania que virou moda.

A estudante Marielly Alberti, de 17 anos, afirma ter experimentado uma única vez o arguile e afirma não ter gostado da experiência. “Pra mim é uma coisa sem fundamento. Provei uma vez e não passei mal, apenas não gostei e não pretendo fumar novamente e sei que é algo que pode viciar e ser prejudicial à minha saúde”, relatou.

A maior dúvida que ronda a mente dos pais, além da preocupação com a saúde dos filhos, é o medo de que a mania de fumar arguile se transforme na dependência do uso de cigarros.

Rudnei Nunes, esclarece que a nicotina é a substância responsável por causar dependência. Ela atua no cérebro como uma espécie de agente informativo, indicando que a pessoa necessita daquilo.

Alto Taquari: Quanto mais cedo a pessoa começa a usar o arguile, maior o risco da dependência dele?

R.N.: Quanto mais cedo o consumo for feito maior a chance de prejudicar o pulmão, e claro, pode trazer complicações.

Alto Taquari: Qual o seu conselho para os jovens que ainda não provaram e pretendem experimentar o arguile, doutor?

R.N.: Eu, como médico, antes de tratar a doença quero prevenir a saúde. Não só o arguile como o tabagismo é um vicio que só tende a prejudicar, ele traz um alívio naquele momento, mas, com o passar do tempo nós vemos o resultado disso. São doenças crônicas. Além do mais, o monóxido de carbono é um grande fator causador do câncer. Portanto, para uma vida e juventude saudável é aconselhável pensar muito e ponderar antes de experimentar qualquer tipo dessas substâncias. As consequências são, além de neurológicas, pulmonárias.