Arguile: Fumaça que vicia e atrai cada vez mais jovens
Rudnei Nunes, médico da família, esclarece em entrevista as consequências do uso de arguile a curto, médio e longo prazo.

O cachimbo de água, com uma ou mais mangueira leva também outros nomes. De origem árabe, o objeto é chamado de hookah na Índia e em outros países que falam inglês. Nos países do norte da África é chamado de shisha, narguilê, narguila, nakla, arguile, naguilé, entre outros. Tantos nomes para apenas uma definição: objeto utilizado para fumar.
Desde que caiu nas graças da juventude Sul-mato-grossense as opiniões ficaram divididas. De um lado, os pais, que se preocupam com a saúde e bem estar dos filhos e olham para o arguile como um vilão. Do outro, os jovens, que tomaram gosto e fizeram do arguile um hábito comum na região, como o tereré.
Um exemplo disto é a auxiliar de dentista, Jéssica, de 17 anos. “Fumei arguile por mais de um ano e nesse tempo cheguei a matar aula muitas vezes para poder fumar. Eu gastava muito dinheiro com fumo e carvão, sem necessidade. Hoje não fumo mais arguile, mas muitos dos meus amigos que antes fumavam arguile junto comigo, hoje, fumam cigarros e são dependentes do vício”, declarou.
Há diferenças regionais no formato e no funcionamento do objeto. O princípio comum é o fato de que a fumaça passa pela água antes de chegar ao fumante. Rudnei Nunes, que atua em São Gabriel do Oeste como médico da família, em entrevista ao jornal Alto Taquari, falou sobre o uso do arguile e suas consequências.
Alto Taquari: O arguile é muito prejudicial à saúde?
R.N.: O fato de passar pela água antes de chegar ao fumante, faz com que ele tenha uma redução da nicotina e do alcatrão e por esse motivo não tem uma concentração tão grande dessas substâncias como no cigarro, porém, qualquer tipo de fumaça, ou seja, a queima de qualquer produto orgânico produz monóxido de carbono na mesma intensidade que o cigarro comum.
Alto Taquari: Por que as pessoas que fumam insistem em dizer que o arguile não faz o mal que o cigarro faz?
R.N.: No caso do arguile, por ser mais suave que o cigarro a pessoa se expõe por um pouco mais de tempo àquela fumaça. Além disso, as pessoas usam fumos com essência e gosto, portanto não tem aquele cheiro forte que o cigarro produz. O que as pessoas não podem esquecer é que mesmo que o produto tenha um cheiro agradável e o gosto de fruta, ou seja lá qual for, a fumaça tem radicais livres, o que diminui a oxigenação das vias pulmonares e prejudica a médio e longo prazo a função respiratória.
Desde a novela “O Clone”, que mostrava o personagem “tio Ali” sempre de pernas cruzadas, “relaxando” e filosofando ao desfrutar de seu arguile, o objeto se popularizou e ganhou força em quase todos os estados brasileiros, uma espécie de marketing e divulgação da cultura árabe. Mas, nem todos os jovens gostam ou são adeptos dessa mania que virou moda.
A estudante Marielly Alberti, de 17 anos, afirma ter experimentado uma única vez o arguile e afirma não ter gostado da experiência. “Pra mim é uma coisa sem fundamento. Provei uma vez e não passei mal, apenas não gostei e não pretendo fumar novamente e sei que é algo que pode viciar e ser prejudicial à minha saúde”, relatou.
A maior dúvida que ronda a mente dos pais, além da preocupação com a saúde dos filhos, é o medo de que a mania de fumar arguile se transforme na dependência do uso de cigarros.
Rudnei Nunes, esclarece que a nicotina é a substância responsável por causar dependência. Ela atua no cérebro como uma espécie de agente informativo, indicando que a pessoa necessita daquilo.
Alto Taquari: Quanto mais cedo a pessoa começa a usar o arguile, maior o risco da dependência dele?
R.N.: Quanto mais cedo o consumo for feito maior a chance de prejudicar o pulmão, e claro, pode trazer complicações.
Alto Taquari: Qual o seu conselho para os jovens que ainda não provaram e pretendem experimentar o arguile, doutor?
R.N.: Eu, como médico, antes de tratar a doença quero prevenir a saúde. Não só o arguile como o tabagismo é um vicio que só tende a prejudicar, ele traz um alívio naquele momento, mas, com o passar do tempo nós vemos o resultado disso. São doenças crônicas. Além do mais, o monóxido de carbono é um grande fator causador do câncer. Portanto, para uma vida e juventude saudável é aconselhável pensar muito e ponderar antes de experimentar qualquer tipo dessas substâncias. As consequências são, além de neurológicas, pulmonárias.
