Encontro discute ações ambientais na Bacia do Alto Taquari em São Gabriel




O encontro reuniu neste primeiro momento, técnicos em gestão ambiental dos municípios localizados na Bacia do Alto Taquari, Embrapa, Cointa; produtores rurais e do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), para que através de relatos das experiências dessas entidades técnicas e as experiências práticas de cada município ali representados pudessem criar uma agenda positiva de ações articuladas que serão desenvolvidas visando diminuir os impactos causados pelos processos erosivos no planalto e, consequentemente, o assoreamento do Taquari no Pantanal.
Palestras com temas como Processos sistêmicos de larga escala entre a Bacia do Alto Taquari (BAT) e o leque aluvial do Taquari; Mudanças no Rio Taquari nas últimas décadas; Diagnósticos, prognósticos e identificação dos locais críticos para ações na BAT através do Sistema Integrado de Gestão (SIG); Políticas Públicas do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento; Conceitos Técnico-Científicos para a Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (Pisa); Relato do produtor rural Renê Miranda, sobre suas ações conservacionistas e elaboração através de grupos de trabalho de propostas de modelos de cadeia produtiva integradas na BAT com foco em ganhos de competitividade, mitigação e impactos a médio e longo prazo no Taquari e identificação de consultores e extensionistas (formação/treinamento de recursos humanos) que se engajem na causa, foram as principais atividades do dia na Fazenda Guavirá Poty.
Segundo relato de Adilson Reinaldo Kososki do Mapa, São Gabriel do Oeste tem uma das experiências mais positivas nesse sentido, destacando as ações do Programa Agroambiental no município (2007-2008) em parceria com a delegacia federal, ministério e Agraer na região do Distrito do Areado. Esses trabalhos apresentaram resultados positivos: A contenção do processo erosivo nas propriedades rurais em área de pastagens, a melhoria da produtividade dos solos a da rentabilidade das propriedades rurais, com o aumento da produção e, consequentemente, da renda do produtor rural.
O secretário de Agricultura Pecuária e Meio Ambiente de São Gabriel do Oeste, Léo Luis Grison, que já integrava a equipe de trabalho do Programa Agroambiental, defende a recuperação Microbacias como unidade básica e não, isoladamente, por propriedade rural. A ideia central é trazer os proprietários como parceiros do projeto, buscando as suas participações como contrapartida, maneira de otimizar recursos e ampliar as ações como já foi feito no passado”, relatou Léo.
Durante os trabalhos o prefeito de São Gabriel do Oeste, Adão Unirio Rolim, reafirmou seu compromisso com o programa afirmando que a prática sempre ensina que o caminho mais viável é o diálogo, salvo algumas exceções. “Vamos buscar o proprietário rural como parceiro na recuperação, através da conscientização e da capacitação em melhores práticas agropecuárias e manejo de solos e água, fomento à produção integrada, pois o maior beneficiado é ele próprio. Vai melhorar a produtividade dos solos, aumentar a produção, a renda; a propriedade se valorizará, ou seja, ele só tem a ganhar”, afirma o prefeito.
Bacia do Alto Taquari
A Bacia do Alto Taquari (BAT), com superfície de 28 mil quilômetros quadrados está localizada na Bacia do Alto Paraguai no Centro-Oeste do Brasil. O rio Taquari é um dos mais importantes afluentes do Rio Paraguai, desempenhando papel de destaque na sócio-economia da Nhecolândia e Paiaguás, sub-regiões criatórias mais populosas de bovinos de corte do Pantanal.
A rápida expansão da agropecuária na BAT a partir de meados da década de 70, desarticulada de zoneamento agropecuário, acelerou os processos erosivos no planalto e, consequentemente, o assoreamento do Taquari no Pantanal. Em virtude disso, o padrão das inundações na planície do baixo curso do Taquari foi alterado e a pecuária bovina de corte, principal atividade econômica da região, foi drasticamente afetada pelo alagamento de uma superfície aproximada de 11 mil quilômetros quadrados.
Nessa área impactada ocorreu redução de 50% da população bovina de 1970 para 1975. Além disso, as inundações sucessivas desencadearam profundas alterações no processo natural de sucessão vegetal. A fauna regional também está sendo afetada.
Entenda a problemática do Taquari
O Rio Taquari, ao longo de seu leito, tem duas características distintas e inter-relacionadas: é rio de planalto e também de planície. No primeiro terço de seu curso, ele tem altitude elevada, o que resulta em maior inclinação e águas mais rápidas, dificultando o acúmulo de sedimentos.
A exploração descontrolada de atividades nas margens do Alto Taquari provoca a erosão do solo e faz com que os sedimentos, lá do planalto, cheguem à planície, proporcionando o assoreamento do rio e prejudicando a qualidade da água e a biodiversidade local.
O assoreamento cria barras ao longo do canal, o que reduz a capacidade de reter água. Nesse contexto, grandes enchentes provocam o rompimento das margens, formando os chamados arrombados, que ocasionam uma “desapropriação natural de terras”, já que os locais antes utilizados como pasto e para agricultura, agora ficam cobertos de água.
Para “recuperar” as áreas “tomadas” pelo rio, fazendeiros da região fecham a boca das bacias e utilizam dragas para a retirada de sedimentos. Se por um lado os proprietários não querem perder suas terras para as águas do Taquari, por outro há pescadores que afirmam que a prática de fechamento de arrombados causa prejuízos à atividade pesqueira, ocasionando mortandade de peixes e influenciando negativamente o ciclo de reprodução animal.
Recentemente, em cumprimento à Recomendação do MPF 01/2013, o Ibama fiscalizou propriedades na região do Baixo Taquari. Na ocasião, foi autuado um fazendeiro que realizou o fechamento de cinco arrombados na margem do rio. Ele terá de pagar multa no valor de R$ 2 milhões pelos danos ambientais verificados.
Para o Ministério Público, “pecuaristas, pequenos produtores, ribeirinhos e pescadores profissionais têm sofrido solitária e injustamente um inadmissível processo de degradação de suas formas de viver. Por outro lado, toda a sociedade brasileira vê um de seus bens mais valiosos serem dilapidado por omissão do Poder Público”.
